ARTIGOS
Dos gregos herdamos conceitos a respeito deste sentimento muitas vezes controverso por falta de conhecimento e esclarecimentos maiores. Aqui poderemos ver alguns destes como um estudo sobre a Arte de Viver e Amar.
Existem os Amores Divinos:
O amor incondicional que a tudo se entrega sem mensurar, sem olhar para si mesmo, que nada cobra, impõem ou espera. Tudo faz, tudo suporta, não é egoísta e nada visa como vantagem pessoal. Busca a harmonia e união, pois tudo agrega visando uma totalidade, este é o Eros Primordial.
2 O amor generoso que tudo dá e concede aos homens, expressa nos ensinamentos do Cristo manifestado nas ceias, almoços, bodas, jantares e banquetes feitos de forma horizontal, em condição igualitária e de face a face em uma troca despretensiosa e gentil, contrária ao costume romano verticalizado e hierarquizado, este é o Amor Ágape.
3 O amor que foca o alívio da dor e sofrimento alheio beneficiando o próximo, por compreender o estado emocional deste, que o levara a cometer um ato de transgressão ou, aparentemente, condenável, sendo demonstrado uma especial gentileza com aquele que é julgado pelos outros sempre na forma de uma ação direta, este é o Amor de Compaixão.
Existem os Amores Éticos:
4 O amor que leva ao desejo e vontade da união estável e eterna, buscando a criação dos frutos desta união. A vontade é de estar ligado a esta pessoa até o final da vida, pois esta nos completa perfeitamente. O envelhecimento se torna uma dádiva ao lado de quem sentimos o Amor Gamos.
5 O amor aos ideais, a dedicação aos propósitos ou estudos e também à família, mais relacionado ao amor dos filhos aos pais, este é o Amor Filos.
6 O amor entre os irmãos consanguíneos ou de amigos que se sintam tão ligados pelos laços de companheirismo e cumplicidade, este é o Amor Frater.
7 O amor de auxílio ao próximo de maneira direta e emergencial de forma a ensinar o próximo a pescar o próprio peixe, muitas vezes chamado de altruísta, este é o Amor Cáritas.
8 O amor virtuoso que nos leva a compadecermos da miséria do ser humano em suas vicissitudes e dores por suas más escolhas e paixões inspirando nas almas nobres o sentimento de perdão ou autossacrifício, este é o Amor de Misericórdia.
9 O amor com grande afeto e entusiasmo por si mesmo, reconhecendo seus méritos e buscando transformar os defeitos reconhecidos, assumindo suas próprias falhas para se melhorar a cada dia, sem perder o gosto pela vida, este é o Amor Próprio.
10 O amor idealizado, projetado, mas não declarado a pessoa amada por quem ama, por medo da rejeição pela única razão de não amar a si mesmo. Porém, este se diz capaz de amar por ambos, por tanto amar, este é o Amor Platônico.
11 A pessoa que possui e manifesta adequadamente: consideração, dignidade, honestidade e integridade de caráter, este possui a Honra, o amor da criatura consciente de si mesma e do que Deus lhe concedeu.
Existem os Amores Profanos ou Seculares:
12 O amor que provém do desejo do olhar, ou, de olhar o outro. A atração pura e arrebatadora ao ver o outro e não suportar a distância deste. É preciso sentir, tocar a pele e o corpo até sentir-se satisfeito, em seus anseios e caprichos, este é o Eros Pandemos.
13 O amor que busca a satisfação sexual como meio de complementar a falta ou vazio que existe em sua alma, este é o Amor Afrodisíaco.
Existem os Amores Perversos ou Trágicos:
14 O amor ciumento que quando contrariado, ou sentindo-se ameaçado, torna-se violento por sentir-se rejeitado toma, assim, ações vingativas sempre justificando não ser correspondido, este é o Amor Anteros.
15 O amor que busca a pessoa perfeita mediante seus valores pessoais tentando “esculpir” os amantes aos moldes dos seus padrões e conceitos, este é o Amor Deucaliônico.
16 O amor sádico que busca tolir, vetar, censurar, podar, constranger ou manipular o ser amado para que este faça o que se quer de forma egoísta, este é o Amor de Procusto.
17 O amor de consumição do outro por ser devorador. Cede, elogia ou presenteia para muito exigir e cobrar depois. É ligado aos animais de semelhante comportamento e que acabam por servir de adjetivo depois que a relação está destruída no princípio do respeito: Galinha, Corno, Égua, Cavalo, Vaca, Veado, Piranha, Pavão, Viúva Negra. Este sentimento é o Amor Antropófago.
18 O amor movido pela inveja se manifestando na forma de competição com o cônjuge, ou por comparação com uma pessoa de vínculo social, buscando mostrar ser superior, ou simplesmente, melhor que ela, este é o Amor Ftono.
19 O amor de intensa valorização da própria condição e seus frutos com a indiferença, ou desvalorização, do que vem do outro. O amante tem necessidade exagerada de reconhecimento e de elogios, enquanto o outro fica relegado ao vazio e a frieza de um espaço não ocupado, este é o Amor Narcísico.
Existem os Pseudo-Amores:
20 Quando se busca a satisfação do desejo pelo desejo, o mais puro instinto de saciação, onde os nomes dos companheiros não importam quando as relações são fugazes e descartáveis, este se chama Hedonismo.
21 Estado de total inconsciência de limites do eu-outro, onde a razão é inexistente, fazendo a pessoa se dedicar de corpo e alma sem medir os riscos que o cônjuge pode lhe oferecer, este conhecemos como Paixão.
22 A devoção obediente que inspira dó e pena quando vemos a miséria alheia, mas nada fazemos para mudar a realidade do outro entregue a extrema pobreza de alma, esta conhecemos como Piedade.
23 A ostentação e presunção que faz a pessoa buscar realizações fúteis e estéreis. Faz a pessoa ser vazia em valores e conteúdos quando se busca uma troca de ensinamentos ou conhecimentos da alma. Sua experiência de vida é limitada e sua consciência é imatura, esta conhecemos como Vaidade.
24 O elevado conceito que alguém faz de si mesmo, mostrando um amor próprio exagerado, tornando-se até mesmo inadequado, manifestando-se pelo que percebemos como altivez desregrada e soberba, este conhecemos como Orgulho.
25 A união de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo, esta conhecemos por Solidariedade.
Madson de Souza
Já se falou em amor, amizade e paixão...
Que tal falarmos do que não é o amor?
Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor, é carência.
Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado. Mesmo sabendo que não é amado, e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos ou todas rivais, isso não é amor; é falta de amor próprio.
Se você acredita que “ruim com ela(e), pior sem ela(e)”, e sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria — existe em função do outro — isso não é amor; é dependência.
Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono(a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor; é egoísmo.
Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor; é desejo.
Se seu coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor; é paixão.
Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação. Ou se programar para atrair alguém por quem se sinta carinho e desejo; que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado no qual haja, aí sim, “o verdadeiro e eterno amor”.
Pense bem nisso...!
Autor Desconhecido
QUEM É LOUCO ?
Quem é louco?
Ele que ouve vozes;
Ou você que não ouve ninguém?
Ele que vê coisas;
Ou você que só se vê?
Ele que diz o que pensa;
Ou você que não pensa para falar?
Ele que diz ser rei;
Ou você que se acha um e não diz?
Ele que não estabelece humor;
Ou você que o finge estável?
Ele que cria neologismos;
Ou você que não sai das estereotipias?
Ele que tem fugas de idéias;
Ou você que não abre mão das suas?
Ele que não dorme a noite;
Ou você que dorme durante toda a vida?
Ele que tenta se matar;
Ou você que se mata todo dia?
Enfim;
Ele que se mascara;
Ou você que não tira a máscara e vive na fantasia?
Quem é louco tire sua máscara antes de se perguntar!
Texto de Gisele Torres – Ex-estagiária de Psicologia do Museu das Imagens do Inconsciente no Engenho de Dentro – Rio de Janeiro – RJ
Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse important e decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes". Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência.
Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre. Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça.
No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.
E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?" Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Segunda Parte
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero. Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã.
Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade.
Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado. "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
Descobri que agora já não posso mais desistir
Poxa, há muito tempo tenho lutado
E é totalmente errado deixar tudo pra trás!
Por mais que ninguém me apóie
Por mais que me critiquem...
Entendi que, por mais que eu conheça o mundo inteiro
Conheça muitas pessoas...
Nunca irei me esquecer de você!
Que mesmo eu não querendo
Sei que também você não vai me esquecer
Não é que sejamos parecidos, longe disso
Somos praticamente o oposto um do outro
Talvez seja por isso que nos damos bem
Que nos entendemos com apenas um olhar
Você sabe muito de mim e eu de você
Não há ninguém que tenha conseguido chegar
Aonde você chegou, você sabe disso
É você, não é mais ninguém
Não consigo mais evitar
É fato que você já me magoou, só que eu também já
Não apenas você, pois saibam que eu peço desculpas
Tantas coisas já aconteceram, sei que ainda vão acontecer
Mas no fim, isso já não significará nada
Pois eu tenho você!
Meu porto seguro, aquele com que eu sempre vou contar
E que sempre vai estar comigo
Que seja ETERNO enquanto dure que dure para SEMPRE
Essas são palavras chaves que quero que você se lembre
Esta é uma lenda africana que conta a história da criação do mundo, e uma das primeiras árvores a serem criadas, o Baobá; pois bem, eis que ao ser criado o Baobá seguiu-se a criação.
Quando Deus criou a Palmeira o Baobá gritou indignado por aquela árvore ser maior que ele como se estivesse em uma competição. Reclamou e reclamou sem pausas para respirar e eis que seguiu-se a criação.
Veio após, a criação do Flamboyant, de copa majestosa com suas flores vermelhas e brancas. O Baobá ficou revoltado e cheio de ciúmes. Disse que era um absurdo ele tão imponente não ter flores como aquela árvore tão mais jovem que ele. Seguiu-se as reclamações sem uma interrupção sequer e eis que seguiu-se a criação.
Foi então criada a Figueira . Árvore frutífera e grandiosa que instigou pela sua silenciosa presença a inveja do Baobá por ter a capacidade de gerar frutos. O Baobá não se conteve de tamanha ira contra a existência de diferentes árvores que julgava superiores a ele.
Neste momento, a robusta árvore incorreu em pôr sob o sol a sua ira. Retirou de dentro do solo metade de suas raízes para caminhar sobre a terra e, assim, derrubar suas demais irmãs. Foi então que o Criador interviu interrompendo a seqüência da criação. Pegando a árvore com ímpeto, o Criador virou-a de ponta cabeça enterrando-a, em seguida, desta forma na terra de onde havia saído. O Baobá além de não mais poder caminhar sobre a terra também não mais podia reclamar, pois sua copa estava no lugar das raízes... enterrada no solo.
Foi então que o Criador disse para o Baobá: Agora você terá o seu lugar no mundo, pois aquele que não busca se melhorar está fadado a se enterrar.
O mito do Baobá nos trás uma narrativa que nos faz refletir a respeito de conteúdos sociais inerentes a humanidade: o primeiro é a competição, o segundo é o ciúme e o terceiro é a inveja.
Com a Palmeira surge no Baobá o primeiro impulso social: a comparação com os outros. Este impulso é muito reforçado pela sociedade que, por assim agir, constrói a competitividade. Esta ação tem características positivas e negativas dependendo das atitudes tomadas a partir dela.
Na história do mundo há um tipo de Palmeira chamada Imperial, sendo a espécie de Palmeira mais alta do mundo acabou por ser um símbolo para a realeza em diversas monarquias. Chegou a ter suas mudas contrabandeadas por duques, barões, condes e viscondes para ostentar suas posições dignatárias em seus jardins, em uma competição acirrada entre nobres.
Com o Flamboyant surge o ciúme frente os atributos de outrem, assim como, o medo de se perder o valor pelos olhos do outro ou outros.
O nome Flamboyant provém do francês significando flamejante. Não é difícil encontrar alguma pessoa que descreva o ciúme como um incendiar ou um enxergar tudo vermelho. O fogo muitas vezes é visto como algo que destrói, mas também podemos encará-lo como um elemento transformador e, que neste caso, deve nos servir como instrumento para melhorar a nós mesmos.
De frente para a Figueira surgiu a inveja no Baobá. Ao contemplar os frutos da vida de outras pessoas quando não se produz os próprios frutos.
Quando nos melhoramos passamos a ser capazes de produzir frutos quando antes éramos estéreis, ou, produzir novos frutos quando os que já produzíamos não mais nos faziam felizes.
Interessante é o perceber da continuidade da criação sem interrupção em meio a reclamação frente a vida, seja esta reclamação do Baobá ou de nós humanos. Mas quando se ousa infligir as leis naturais, para pôr cabo a ira provinda da inveja, ocorre com o Baobá o que poderíamos chamar de vingança divina, ou justiça poética, expressa na frase do Criador:
Agora você terá o seu lugar no mundo, pois aquele que não busca se melhorar está fadado a se enterrar. Podemos encontrar vários significados, mas um salta aos olhos.
Aquele que envereda na competitividade, e se remoe de ciúmes pelos atributos de outros, incorrendo na ira provinda da inveja, sofre com os efeitos de seu mal proceder. Antes, através da competitividade, buscasse em si mesmo os atributos que proveriam os frutos que almeja, mas quando isso não ocorre, e o exemplo do Baobá nos ensina, é que a morte-em-vida torna-se a prisão do homem que se enterra em lamúrias.
Um velho pedreiro estava para se aposentar. Contou a seu chefe os planos de largar o serviço de carpintaria e construção de casas, para viver uma vida mais calma com sua família. Claro que sentiria falta do pagamento mensal, mas necessitava da aposentaria. O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores empregados e pediu a ele que construísse uma última casa como um favor especial.
O pedreiro consentiu, mas, com o tempo, era fácil de ver que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no serviço e utilizou mão de obra e matériaprima de qualidade inferior. Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira.
Quando o pedreiro terminou o trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave da porta ao velho pedreiro. “Esta é a sua casa”, ele disse “meu presente a você.”
Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito completamente diferente, não teria sido tão relaxado. Agora iria morar em uma casa feita de qualquer maneira.
Assim acontece conosco. Construímos nossas vidas de maneira distraída, reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do que o melhor. Nos assuntos importantes não empenhamos nosso melhor esforço. Então, em choque, olhamos para a situação que criamos e vemos que estamos morando na casa que construímos. Se soubéssemos disso, teríamos feito diferente.
Pense em você como um pedreiro. Pense na sua casa. Cada dia você martela um emprego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede. Construa sabiamente, pois é a única vida que você construirá.
“Aquele que fica na ponta dos pés
não tem equilíbrio.
Aquele que estende as pernas
não caminha com facilidade.
Aquele que se mostra
não brilha.
Aquele que expõe seus pontos de vista
não se distingue.
Aquele que se vangloria
não tem seus méritos reconhecidos.
Aquele que é presunçoso
não conquista superioridade.
A raiz da grandiosidade é a humildade.
Amar o próximo é a única grandiosidade.
A resposta para amar o próximo
é primeiro ser amado por aprender a se amar”.
Cântico Proverbial Chinês (Escola Xhan)
É necessário que nos trabalhemos buscando cada dia nos tornar mais humanos, pois esta não é uma condição inerente aos que nascem em nossa espécie. Ser humano é uma conquista, uma conquista àqueles que desejam se tornar únicos em sua verdadeira integridade, sem precisar assumir uma animalidade caricata negando as suas sombras.
Ostentar condições ou convicções sem a devida vivência das mesmas é ignorar as razões da própria existência. É ter o conhecimento de onde está a felicidade e continuar a manter distância dela. É se manter ignorante das forças necessárias às verdadeiras mudanças urgentes em sua vida... e por que não? À Alma.
A pergunta que devemos fazer é: Levamos a sério as nossas questões? Ou estamos, simplesmente, nos enganando deixando sempre para depois a busca das respostas que tememos, sem nem ao menos sabermos se nos farão bem ou mal. Não adianta ocultarmos os nossos tombos sem aprender que o melhor caminho é o diálogo com o passado. Aprendemos algo novo todos os dias e, principalmente, quando aprendemos a ouvir a nossa voz interior.
Esta reflexão serve àqueles que buscam a sua verdade essencial, seu mito pessoal, àquilo que ninguém pode compreender, mas somente a própria pessoa pode conhecer e reconhecer, pois faz parte de si mesma.
A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. A beleza do seu voo é sempre admirada. Chega a viver 70 anos. Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Afinal, nessa idade, ela vai se encontrar na seguinte situação:
1 - As unhas estão compridas e flexíveis. Por isso, não consegue agarrar as suas presas das quais se alimenta;
2 - O bico está alongado, pontiagudo e se curva dificultando o corte do alimento e apontando contra o peito;
3 – As asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, fazem voar um exercício tão difícil por ser muito cansativo!
Então, a águia só tem duas alternativas:
1 - Morrer; ou
2 - Enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas garras.
Quando as novas garras começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver mais 30 anos.
Assim como a águia, o ser humano passa por diversos momentos da vida em que precisa aprender a renascer. O processo de amadurecimento é lento e exige paciência. As mudanças são dolorosas. Mas necessárias e fundamentais para que o crescimento individual venha acompanhado de sabedoria e se transforme em vivência.
Carlos Camacho
Carl Gustav Jung nasce em 1875, em Kesswill, na Suíça. forma-se médico e especializa-se em psiquiatria, ciência em formação. O interesse pelos distúrbios mentais o faz desenvolver profundos estudos sobre a mente e suas conclusões o aproximam de Freud em 1907. O já famoso psicanalista judeu-austríaco é persona non grata no meio universitário e enfrenta dificuldades para ter levadas a sério suas idéias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suíço e vê nele, no não-judeu, a cabeça ideal para levar adiante a psicanálise. Jung, chefe de clínica do famoso hospital psiquiátrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitações comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em público e assim tornam-se um colaborador.
Seus estudos, porém, levam-no a divergir da psicanálise e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se traído. Jung vê-se em apuros pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se aí o período mais difícil e delicado de sua vida onde ele abandona as atividades acadêmicas e parte para um solitário, terrível e decisivo confronto com o inconsciente - que levará anos e quase lhe será fatal. Mas ele emerge dessa fase revigorado e prossegue, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade científico-ocidental levará a sério coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia - para ele fundamentais na compreensão de certos processos psíquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionária.
TEORIA DA PSICOLOGIA ANALÍTICA
Jung deu o nome de psicologia analítica à sua psicologia. Ela difere da psicanálise em muitos pontos mas ele mesmo não descarta a importância dessa para alguns tipos específicos de terapia. A psicologia de Jung incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconsciente e, uma vez lá, reconhecer o que ele na verdade é e integrar esses conteúdos à consciência. Assim como alguém que decide fazer um curso de computação para investir em seu futuro, muitos procuram uma terapia para... autoconhecer-se, saber de suas potencialidades. Aí está um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor.
Jung afirma que o inconsciente não é subproduto da consciência nem mero depósito de desejos recalcados e frustrações sexuais, como pensava Freud. Para ele o inconsciente é uma entidade viva, independente de nossa percepção dele, acima das noções dualistas de bem e mal. É a outra parte de nossa psique que o ego (consciência superficial) desconhece. Ele está sempre atuando e faz com que os sonhos, em sua linguagem simbólica, sejam a representação fiel da psique - nossa razão crítica é que se afastou da linguagem dos símbolos e não mais a entende.
Para Jung a vida tem sentido e sua grande finalidade é a individuação: processo de profundo autoconhecimento onde tomamos a coragem de nos confrontar com velhos medos e o que desconhecemos de nós próprios. Os sonhos então revelam-se como um importante guia para esse conhecimento. Uma vez que alguém se entrega a esse caminho nada racional, sua vida parecerá ser magicamente conduzida por uma sabedoria maior que Jung denominou self (o si-mesmo), o centro de cada um de nós. Individuar-se significa fazer o ego (a consciência da superfície) ir ao encontro desse centro. Representa separar-se da massa, do turbilhão inconsciente e adquirir autonomia; representa tornar-se uma totalidade psicológica, una e centrada, sem divisões internas, autoconsciente: um in-divíduo. Este é o caminho para a personalidade total e a buscada realização pessoal. Para Jung, o futuro da humanidade dependerá diretamente da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar.
Continue Lendo...
Dentro do sistema formulado por Jung, podemos destacar os seguintes temas:
• Sua posição relativamente ao conceito de libido – Para Jung, a libido manifesta-se como um contínuo impulso que sustenta a conservação do indivíduo e garante a continuação da espécie. Ele distanciou-se de Freud quando negou qualquer natureza sexual a atividades como as que prevalecem na função de nutrição.
• Teoria dos tipos psicológicos e funcionais – Constitui uma das grandes contribuições de Jung. Ela se apoia em uma valorização maior do ego ou do objeto em função da qual se constituem os dois tipos básicos: o introvertido e o extrovertido. Foi em função do conceito de tipos psicológicos que Jung introduziu um dos conceitos mais fecundos de seu sistema, o de auto-regulação: nos introvertidos, poderíamos discernir condições extroversas compensatórias e, nos extrovertidos, também seriam caracterizáveis disposições introversas.
Em Jung a análise centraliza-se na verificação de metas, em Freud prevalece o caráter retrospectivo, voltado para o passado.
Para Jung, a neurose será consequência de uma certa incapacidade para se cumprir ou alcançar um dos objetivos definidos como vitais. Aquilo que Freud considerava como causa, para Jung revela-se como efeito. Jung sustenta a tese de que as produções delirantes dos neuróticos tinham significado.
Os trabalhos derradeiros de Jung centralizaram-se no conceito da individuação. Trata-se de um processo que ocorre na segunda metade da existência. Jung distingue entre os problemas peculiares a primeira metade da vida, e os que se revelam dominantes na segunda metade.
Etapas do desenvolvimento do indivíduo – Para Jung, o desenvolvimento individual obedece a quatro etapas:
1) Infância :
Pré-sexual : três primeiros anos de vida caracterizada pela nutrição e
crescimento;
Pré-puberal : demais anos da infância até a puberdade;
2) Adulto-jovem ou Puberal: inicia-se com a puberdade, responde pelo acesso do indivíduo a maturidade.
3) Meia-idade: inicia-se no final da casa dos trinta anos.
4) Velhice : tem início quando o indivíduo se sente improdutivo, depreciado social e fisicamente.
A maioria dos cursos de psicologia de hoje dedicam, quando muito, uma ou duas disciplinas às idéias de Jung. Assim como a medicina tradicional ainda está presa ao paradigma mecanicista newtoniano, nossa psicologia "oficial" ainda é freudiana/psicanalítica. No entanto alguns pesquisadores apoiaram as teorias do suíço, inclusive físicos (!) que viram em suas inusitadas descobertas no mundo das partículas subatômicas, incríveis semelhanças com as teorias junguianas. para esses cientistas o mundo dos átomos revelava uma espécie de consciência e, de repente, era como se mente e matéria não fossem tão distintas assim e se influenciassem mutuamente - como afirmava Jung, desafiando o paradigma newtoniano/descartiano vigente. Sociólogos e antropólogos também o apoiaram e a psicologia transpessoal surgiu a partir dele.
Como pesquisador da consciência, terapeuta, antropólogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangência notável, refletindo sempre sua preocupação com o futuro da humanidade. Suas idéias estão cada vez mais presentes em livros, grupos de estudo e nas novas maneiras de se interpretar a realidade. e de algum tempo para cá o público médio, buscando novos modelos de entender a vida, passou a se interessar por ele.
O homem SEM consciência é como uma carruagem, cujos passageiros são os DESEJOS, os músculos são os cavalos, enquanto a própria carruagem é o esqueleto.
A CONSCIÊNCIA é o cocheiro adormecido.
Enquanto o cocheiro permanece adormecido, a carruagem arrastar-se-á SEM OBJETIVO daqui para lá. Cada passageiro tem destino diferente e os cavalos puxam para caminhos diferentes.
Mas quando o cocheiro ESTÁ BEM ACORDADO E SEGURA as rédeas, os cavalos puxarão a carruagem e levarão cada passageiro ao seu próprio destino.
Naqueles momentos em que a CONSCIÊNCIA se organiza bem como os sentimentos, sentidos, movimento e pensamento, a carrugaem ganhará velocidade no CAMINHO CERTO.
Então, o Homem pode fazer descobertas, inventar, criar, inovar e "saber". Ele compreende que seu pequeno mundo e o grande mundo ao seu redor são apenas um, e que nesta unidade, ele NÂO está mais sozinho.
Parábola Tibetana
Carl G. Jung sugeriu que pode existir um inconsciente coletivo. Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro. Dominar esses arquétipos dá um grande poder ao roteirista, são ferramentas úteis, como um baú cheio de truques.
Os arquétipos mais comuns nos mitos são:
HERÓI
MENTOR
GUARDIÃO DO LIMIAR
ARAUTO
CAMALEÃO
SOMBRA
PÍCARO
É claro que existem outros. Abaixo um comentário sobre esses arquétipos e sua função dramáticas.
O HERÓI
A principal característica que define este arquétipo é capacidade que ele tem de se sacrificar em nome do bem estar comum. Nos filmes de ação este arquétipo é personificado, preferencialmente, pelo protagonista. É ele que vai conduzir a história aos olhos do espectador, o desenvolvimento da trama está pautado nas ações do herói perante o ambiente que lhe é apresentado e no resultado destas ações. Portanto, para um roteiro ser bem aceito pelo público é preciso que este tenha uma identificação com o herói. Quanto mais humana a feição do seu herói mais provável a identificação. É preciso que o herói tenha suas qualidades louváveis e desejadas pelo espectador e ao mesmo tempo possua fraquezas que o tornem mais humano e mais próximo.
Com o herói sendo o protagonista, o roteiro se torna um relato da aventura deste. Uma jornada, onde ele deixa o seu mundo comum e cotidiano e parte para novas descobertas e desafios. O estímulo para esta jornada é a mudança de algo em seu mundo comum, e ele parte para buscar a restauração deste mundo, ou ele está insatisfeito em seu mundo e parte para provocar uma mudança. Em ambos os casos o motivo da jornada é a falta de alguma coisa. O herói se sente incompleto e vai em busca de sua plenitude. O resultado é a transformação do próprio herói. Mesmo que o ambiente não se altere o herói não o enxerga mais da mesma forma. O sacrifício foi feito o herói do começo da história morre para dar lugar a outro.
O confronto com a morte é outra característica deste arquétipo. A morte pode ser física ou simbólica, mas está presente. Na maior parte dos casos o herói se depara com a morte eminente e triunfa sobre ela, se tornando um mártir (quando ocorre a morte física) ou renascendo a partir de sua própria destruição (quando a morte física foi apenas uma ameaça ou quando a morte é simbólica), em ambos os casos o herói triunfa.
O arquétipo do herói não é exclusivo do protagonista, muitas personagens (como o Mentor Ben Kenoby em Guerra nas Estrelas) podem ter atitudes heróicas. Da mesma forma que o herói pode ter características de outros arquétipos. A riqueza de uma personagem é sua complexidade, a capacidade de assumir outros arquétipos, sem se esquecer do principal, dá uma dimensão humana permitindo a identificação e a credibilidade. Poucos acreditam em heróis que só praticam o bem pelo bem e em vilões que só praticam o mal pelo mal.
O MENTOR
Como a função do herói é o aprendizado, ele necessita de alguém que o guie, pelo menos até o momento que ele possa andar com seus próprios pés. O mentor pode ser um herói de uma jornada anterior, portanto, ele é uma projeção do que o herói se tornará ao fim de sua aventura. Em outros casos o mentor pode ser um herói que, no passado, falhou na sua jornada, mas mesmo assim adquiriu alguma experiência que pode ser útil ao herói.
Além dos ensinamentos o mentor pode dar ao herói algum presente que o ajude na sua jornada, ou, em certas histórias o mentor pode fazer um papel de consciência do herói.
De um modo geral a função do mentor é estimular a entrada do herói na aventura. Dando-lhe um presente ou apresentando a situação de tal maneira que o herói vença o seu medo e parta para a aventura.
O GUARDIÃO DO LIMIAR
No decorrer da aventura o herói enfrenta desafios. Estes desafios podem ser obstáculos, tentando impedir que o herói continue sua trilha, ou aliados que estão ali para testá-lo. Muitas vezes um guardião depois de ser ultrapassado se torna aliado do herói ou até uma espécie de mentor.
Em algumas histórias estes guardiões são aliados do vilão que possuem poder menor que este. Para a preparação do herói é necessário que ele enfrente estes guardiões e se torne mais forte para enfrentar o vilão. Neste sentido o guardião é uma prévia da luta final. Se a história é uma luta psicológica os guardiões estão representados nas próprias limitações internas do herói.
O guardião, assim, como o mentor pode estar representado por cenários, objetos, pensamentos. Não precisam, necessariamente, ser personagens da história para se fazerem presentes.
O ARAUTO
O arauto é a primeira chama à mudança, pode ser uma personagem ou fato que traga ao herói à vontade ou decisão de lançar na aventura. Em algumas histórias o arauto representa a primeira manifestação das energias da sombra.
Quando o herói vive uma situação de desequilíbrio o arauto é a força que vai ser a gota da água (a morte dos tios do Luke). O herói parte para enfrentar o primeiro guardião de limiar.
O CAMALEÃO