Os egípcios eram politeístas, e seus deuses tanto podiam ser animais como humanos que eram considerados sagrados. Os deuses eram representados de forma antropozoomórfica, ou seja, animais com corpo de seres humanos (antropomorfismo) e seres humanos com corpos de animais (zoomorfismo).
A mitologia egípcia é um desenvolvimento natural do xamanismo, tornando as forças instituais partes integrantes da humanidade, na reflexão inconsciente de que somos parte do meio e o meio de nós, não havendo cisões ou disparidades. Para os antigos egípcios os símbolos eram ligados ao cotidiano e a realeza egípcia de forma compreensiva e holística. Esta herança foi passada a Igreja Copta dos primeiros séculos de nossa era.
Deuses
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No princípio existia o Nun, Nuu, Nub, Cnufis, Cnub, Cnum ou Khnum, que era a divindade que personificava as águas primordiais e dos abismos. É a divindade egípcia mais velha e sábia de todas. Representavam Nun como um homem barbado, com uma pena na cabeça e segurando um cajado ou com cabeça de carneiro. Passou a ser considerado deus da primeira cachoeira, o "deus das fontes" do Nilo.
Era o deus das águas que circulam para o mundo inferior, deste modo, quando o Sol navegou na escuridão da noite, ele se uniu a Cnum. Num ou Cnum teve como função criar os seres vivos, deuses e homens por meio de seu torno ceramista de oleiro. Foi este deus que modelou o ovo primordial (ou colina primordial) de onde saiu a luz solar para o começo da vida. Naunet é a face feminina deste deus.
Nesse abismo líquido escondia-se Atum, em um botão de Lótus. Atum é o deus que protagoniza o mito da criação. O seu nome egípcio era Atemmu, Tum, Temu ou Itemu, o que significa “Totalidade” ou “Estar completo”. Era representado como um homem com barba que usava a coroa dupla do faraó. Por vezes podia aparecer com uma serpente que usa as duas coroas (a do Alto e a do Baixo Egipto). Era o rei de todos os deuses.
Criou dois filhos também divinos. Um era Chu, ou Shu, e o outro, uma deusa, era Tefnet ou Tefnut. Um dia Atum contemplando sua criação apareceu sobre o Caos proclamando-se Rá (Sol).
Toth, Tot, Tôt ou Thoth é o nome em grego de Djehuty (ou Zehuti). É um dos deuses primordiais que nasceu espontaneamente de uma flor de lótus azul, é uma divindade auto-concebida. Outras versões o coloca como ora filho de Rá, ora saído da cabeça de Seth. O deus da escritura, das bibliotecas, do idioma e o cavalheiro das palavras divinas. Representou a matemática, a astronomia e as ciências em geral. Era conseqüentemente símbolo de sabedoria e senhor das falas convincentes (eloquencia), da astúcia e da magia, também, seria conselheiro de Rá. Ele teve duas formas de representação animal: o babuíno e o íbis.
Não é muito freqüente a representação dele com corpo humano e cabeça de babuíno, mas, pelo contrário, ele é muito visto com corpo humano e cabeça de íbis, quase sempre com material de escrivaninha. Toth era o advogado e deus das leis; era muito ligado matrimonialmente à deusa Maat por serem representantes da verdade e da justiça. Toth utilizou a astúcia e a magia em casos difíceis. Ocupou uma posição importante no tribunal divino. Por ter recuperado o olho de Rá (que havia fugido para Núbia na forma de Tefnut), como prêmio, ganhou a Lua e se tornou o deus do disco branco, governador das estrelas; também foi advogado do deus assassinado Osíris e de seu filho Hórus. Tinha uma filha: Seshat. Em sua forma como babuíno era chamado Utennu.
Chu ou Shu era o deus do ar seco e da transmissão da luz do sol (atmosfera e poeira). Foi ele que separou o céu da terra e era o responsável pela vida, pois era deus da luz do dia. Representava-se como um homem que usava uma grande pluma de avestruz na cabeça. Freqüentemente figura com os braços em alto, segurando Nut estrelada, enquanto mantem Geb abaixo. Acreditava-se que afastava a fome dos mortos. Freqüentemente é associado junto com Tefnut como dois leões guardando o portal do sol nascente.
Anúbis ou Aepw é o deus que preside as mumificações, sendo guardião habitual das necrópoles. Foi representado como um chacal preto, como um homem com cabeça de chacal, ou de cachorro. Guiava a alma do morto no Além Vida.
Protegeu o corpo de Osiris durante e depois que este havia sido embalsamado. Foi integrado à casa (família) de Osiris, enquanto sendo o filho deste com Neftis.
Tefnet ou Tefnut era irmã e esposa de Shu e surgiu de um vômito, tosse ou ejaculação de Atum. Era a deusa da umidade, das nuvens, do orvalho e da chuva e o símbolo das dádivas e da generosidade, deusa da natureza juntamente com Chu. Retratavam-na, às vezes, com cabeça de leoa, o que indicava poder. Sobre a cabeça usava o disco solar e uma serpente, a serpente Uraeus. Enquanto seu irmão e marido Shu afastava a fome dos mortos, ela afastava a sede. O casal gerou dois filhos, Geb e Nut.
Nut ou Nuit é filha de Shu e Tefnut, Nut é a Deusa do Céu Noturno, também conhecida como Grande Profundeza, a Abóbada Celestial, deusa do céu que acolhia os mortos no seu reino. Nut e Geb são retratados como amantes apaixonados. Rhá mandou Shu separá-los, e ele pisou sobre Geb e com as mãos suspendeu Nut acima de seu irmão.
Ele é quem assegura o enterro no solo após a morte. Geb, então, umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade no túmulo. Suas cores eram o verde (vida) e o preto (lama fértil do Nilo) usando uma pluma e chifres em forma de aríete. Nas pinturas é sempre representado com um ganso sobre a cabeça, e era comumente representado usando uma coroa com uma pluma e chifres em forma de carneiro. É o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob a curva do corpo de Nut. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas.
É muitas vezes representada sob a forma de uma vaca (Mito da Vaca – Módulo 3), por alusão a uma metamorfose por que, espontaneamente, teria passado ou com um recipiente esférico sobre a cabeça.
Osiris e Isis já se amavam no ventre da mãe e a maldade de Seth logo ficou evidente quando, ao nascer, este rasgou o ventre da própria mãe.
Geb ou Seb é o deus egípcio da terra sendo também considerado deus da morte, pois acreditava-se que ele aprisionava espíritos maus, para que não pudessem ir para o céu.
Osíris ou Usire é o deus dos mortos e do renascimento, rei e juiz supremo do mundo dos mortos. Segundo se crê, ele teria sido o primeiro faraó que ensinou ao seu povo o cultivo dos campos e deu-lhe leis sábias. Quando julgou ter terminado a sua obra, entregou o governo do reino a sua esposa e, na companhia do filho Anúbis, percorreu várias regiões (Etiópia, Arábia e Índia), nas quais ensinou os benefícios da agricultura, das leis, da religião, sendo descrito como um ser bondoso. Quando regressou, foi morto por seu irmão Seth que estava desejoso do poder e o corpo foi lançado ao Nilo. A esposa, como pretendia dar sepultura condigna ao marido, procurou o corpo, encontrando-o em Biblos, na Fenícia.
As imagens em que Osíris é representado mostram-no com a cabeça coberta por uma mitra branca. Assegura a vida e a felicidade eternas a todos os seus protegidos. É ainda a divindade que encarna a terra egípcia e sua vegetação, destruída pelo sol e pela seca, mas que sempre ressurge pelas águas do Nilo.
Ísis ou Istet, deusa da medicina, do casamento, da cultura do trigo e da magia. Personifica a primeira civilização egípcia. Era a mais popular de todas as deusas. Consideravam-na a deusa da família, o modelo de mãe e esposa. Era invencível e protetora.
Com os poderes mágicos que tinha ajudava os necessitados. Acreditava-se que fora ela quem criara o Nilo, com as lágrimas que chorara pela morte do esposo. Representavam-na usando na cabeça um trono, que é o hieróglifo do seu nome.
Seth ou Tífon era o deus da violência, da desordem, do caos, do deserto, dos trovões e das terras estrangeiras. Era um deus que encarnava espírito da malignidade e, no Alto Egito, consideravam-no também o deus da tempestade. Hórus conseguiu vencer Seth e, segundo algumas versões, matou-o. Segundo outras, apenas o castrou.
O deus Seth era associado a vários animais: o cachorro, o crocodilo, o porco, o asno e o escorpião. Daí a sua aparência orelhuda e nariguda, mais próxima a uma besta. Era ainda representado como um hipopótamo, que era considerado no Egito um animal destrutivo, perigoso e traiçoeiro. Personifica a ambição e o mal não adulterado.
Néftis o seu nome significa “Senhora da Casa”, entendendo-se por “casa” o lugar onde vive Hórus. Representava as terras áridas e secas do deserto e a morte, era a deusa protetora dos túmulos. Acreditava-se que ela habitava as terras hostis, como os desertos, onde guiava os viajantes, sendo associada ao culto funerário. As bandagens que embrulhavam o corpo do morto representavam os tapetes de seu cabelo. Protege o sol nascente da serpente Apofis.
Háthor (Hathor ou Het-Heru) é uma das deusas mais veneradas do Egito Antigo, a deusa das mulheres, dos céus, do amor, da alegria, do vinho, da dança, da fertilidade e da necrópole de Tebas, pois sai da falésia para acolher os mortos e velar os túmulos, antagonicamente era deusa protetora dos partos, pois quando estes ocorriam seis Hátores surgiam para promovê-lo. É a legítima portadora do sistro que era feito em geral em bronze, mas também existiam exemplares em madeira e em faiança. Os sistros estavam particularmente associados ao culto da deusa Hathor, mas poderiam também ser empreguados à Ísis, Bastet e Amon. Os Egípcios acreditavam que o som produzido pelo instrumento poderia aplacar o deus em questão. Trazia a felicidade e era chamada de "dama da embriaguez" e muito celebrada em festas. As mulheres solteiras oravam para ela enfeitiçar seus espelhos de metal.
Esta Háthor é a reformulação de uma Háthor pré-dinástica, muito mais antiga, da qual pouco foi revelado e muito foi ocultado pela classe sacerdotal. Seu poder era tão grande que, mesmo com estas reformulações e confusões, em mais de uma dinastia o faraó era considerado filho de Hathor ou seu consorte.
Personificação das forças benéficas do céu, depois de Ísis, é a mais venerada das deusas. Era prestado culto a Háthor em todo o Egito, em especial em Denderá. Ela é representada de várias formas ao longo da história e pré-história egípcia: como uma mulher com chifres na cabeça portando o disco solar; como uma mulher com orelhas de vaca; como uma mulher com cabeça de vaca portando o disco solar; ou como uma vaca, com disco solar e duas plumas entre os chifres. Mas possuia ainda um face terrível conhecida como Sekmet.
Sacmis, Sekhemeth ou Sekmet esta deusa é representada como leoa, ou como uma mulher com cabeça de leoa. Ela era a filha do deus Rá e Nut; levava o disco solar e o uraeus na cabeça, e ela foi considerada uma manifestação do olho de Rá.
Simboliza a destruidora energia do sol com a qual as chamas aniquilaram os inimigos revoltosos de seu pai; ela era a deusa terrível da guerra. Causava medo na terra do Egito e nos demais, onde Seth e a terrível serpente Apófis, passavam, sucumbiam diante dela. Seu nome egípcio quer dizer "a poderosa." Esta deusa atacou os humanos impiedosamente, mas Rá quis a impedir de aniquilar a todos. Sekmet foi enganada ao lhe oferecerem 7.000 recipientes de cerveja misturada com um matiz vermelho para que pensasse que fosse sangue humano. A deusa, acreditando que era sangue, bebeu e foi intoxicada, sendo a raça humana salva.
Bastet ou Bast é a deusa que se apresenta como uma mulher com cabeça de gato ou como um gato. Representa a personificação dos raios quentes do Sol e exercitou os poderes benéficos dele. Encarnou os aspectos calmos de deusas perigosas como Sacmis/Sekmet que expressou as qualidades malignas do Sol, como o olho de Rhá, foi associada à lua e protegeu os nascimentos e as grávidas das doenças e dos espíritos ruins.
Neit é a deusa da guerra e da caça. Os atributos dela eram o arco, as flechas e a proteção, a mais antiga função dela. Protege Osíris, Rá e ao Faraó com o arco e suas flechas que fazem sonolento os espíritos maus. Possui várias representações de acordo com a cidade de culto. Utiliza sempre a coroa vermelha, sendo representada na maioria das vezes com uma cabeça de cã negra. É uma deusa de descendência Líbia como Amon a quem deu a luz sem perder a virgindade, após ter concebido sozinha. Em um Templo em Sais existe a seguinte inscrição a seu respeito: “O que foi, o que era e o que será sou eu. Ninguém removeu a minha virgindade, mas o fruto do meu ventre é o Sol”.
Osíris e Ísis conceberam um filho, Hórus ou Heru. Era representado por um falcão ou como um homem com cabeça de falcão, usando sempre as duas coroas: a do Alto e a do Baixo Egito. Na qualidade de deus do céu, é o falcão cujos olhos são o sol e a lua. Com o nome de “Hórus do horizonte”, assume uma das formas do sol, a que dá claridade à terra durante o dia.
Hórus era adorado por todos e era considerado como o mais importante de todos os deuses, aquele que guiava as almas até ao reino dos mortos.
Vencedor de Seth, numa batalha em que perde um dos olhos, recebeu como recompensa o trono do Egito. Após ele, todos os faraós usaram a serpente (Uraeus) como símbolo de autoridade e da sua capacidade para tudo ver e tudo saber, assim como ele usou.
As façanhas de Osíris, Ísis e Hórus foram escritas por Plutarco, numa obra intitulada Osíris e Ísis, Sobre Ísis e Osíris ou Acerca de Ísis e Osíris.
Hapi é um deus representado como homem barbudo e barrigudo que tem a pele na cor verde ou azul, e está ligado à água. Possuiu algumas caraterísticas femininas, como os ombros caídos. Na cabeça leva um toucado com as plantas heráldicas do Alto e Baixo Egito. Às vezes aparece com duas cabeças de ganso. Era a idealização da fecundidade e da fertilidade. Os antigos egípcios acreditavam que as águas de Hapi nasceram em uma caverna localizada na ilha de Bigeh, na área da primeira cachoeira de Nilo vindas de Cnum.
Képri ou Kephera é o deus que simboliza a ressurreição. Também é uma versão do sol nascente. Ele é representado como um homem com a cabeça de escaravelho, ou uma cabeça humana coroada com um escaravelho. Sendo, possivelmente, o escaravelho o emblema dele, acabou transformado em um símbolo de ressurreição. A grande quantidade de escaravelhos entalhados pode explicar este simbolismo da ressurreição retratada tão repetidamente em pedras e jóias egípcias.
Nas paredes das tumbas está sentado na barca do sol. Em tempos posteriores, os escritores jogavam com os vários significados de seu nome.
Montu é um deus-falcão. Era um deus solar e um antigo deus da guerra. Foi representado como um homem com cabeça de falcão que leva uma coroa com duas plumas e o disco solar com uraeus (serpente) duplo. Fazia parte da Enéada de Karnak.
Poderia segurar nas mãos vários objetos, como um machado, setas, punhais, adagas, foices e arcos. Poderia também ser representado com quatro cabeças que vigiam os pontos cardeais. Foi representado com a cabeça de um boi.
De início Montu era um deus solar, associado a Rhá, ou, Ré (Montu-Ré), sendo considerado como a manifestação destrutiva do calor do sol, mais tarde, Montu adquiriu características associadas à vitória e à guerra.
Era conhecido como o "senhor de Tebas", situando o seu principal centro de culto em Hermontis. Montu é referido nas Aventuras de Sinué, uma obra da literatura do Antigo Egipto, cuja ação se desenrola no tempo da XII dinastia. O seu protagonista, o fugitivo Sinué, realiza um ato de louvor a Montu, depois de derrotar um inimigo de origem síria.
Por causa do seu carácter guerreiro, Montu foi identificado pelos Gregos com o deus Apolo.
Bês é um anão com barba e juba, sempre aparece nu ou com uma pele de leão, e ressaltando a língua. Ele era associado com as crianças e as grávidas. Para estes assistia no parto e os protegia dos maus espíritos com algumas facas. A imagem deste protetor se transformou em amuleto. Fora ele que cuidara juntamente com Háthor do menino Harpócrates (Horpakhered).
Ptah ou Ftás é o deus da criatividade. Foi dito que ele criou todos os seres com o coração e a palavra. Ele também foi denominado "Senhor da Verdade" e era fonte de valores morais. Senhor dos artesãos. O boi Ápis era seu porta-voz. Foi representado em forma de humano, coberto com uma vestimenta semelhante ao das múmias e de onde sobressaem as duas mãos. Teria surgido da boca de Amon na forma de um ovo. Também é uma divindade estrangeira acolhida pelos sacerdotes egípcios, assim como, Amon.
Tueris, Thoueris, Taeret é a deusa cujo o nome significa “a grande”, estava muito vinculada ao nascimento. Os egípcios a representavam como uma hipopótama, com costas de crocodilo, patas de leão e enormes seios. Protetora das grávidas e sua imagem aparece nas camas e nos vasos de se por o leite.
Sobeque ou Sobek era o deus crocodilo. É mencionado nos textos das pirâmides como filho de Neit. Se acreditava também ter surgido das águas primordiais, do caos, na criação do mundo. Era o “senhor das águas”, temível pela sua voracidade e ferocidade. Eliminava os inimigos que estivessem nos meios aquáticos. É representado como crocodilo ou como um homem com cabeça de crocodilo.
Seshat é a deusa associada à escrita, à astronomia, à arquitetura, à matemática e aos arquitetos, aconselhava o monarca na fundação de seus templos. O seu nome significa "a que escreve". Recebia também os títulos de "Senhora dos Livros" ou "Senhora dos Construtores".
Representada como uma mulher vestida com uma pele de leopardo, vestimenta usada pelos sacerdotes nos ritos funerários, e na cabeça tem uma estrela de sete pontas, ou uma flor de sete pétalas (roseta), e leva nas mãos uma cana de palmeira e uma paleta para a escrita. Como contadora do tempo, escreve os anos de reinado do faraó nas folhas da árvore da vida.
Enquanto que Tot representava o conhecimento oculto, Sechat representava o conhecimento visível, que se concretizava. Seshat era filha e companheira de Toth, divindade também associada à escrita e ao conhecimento. No entanto, enquanto que Toth representava o conhecimento oculto, Sechat representava o conhecimento visível, que se concretizava. Por assim dizer, Toth era um deus associado ao conhecimento mágico, enquanto que Seshat era associada ao conhecimento cientifico. Tinha uma irmã chamada Mafdet que estava associada à justiça.
Mafdet era uma deusa associada à justiça e ao poder real. O seu nome significa provavelmente "a corredora".
Era representada como um animal (que ainda não foi possível identificar, sendo talvez uma pantera, lince ou mangusto) que subia por um bastão curvado na parte superior onde havia um gancho e uma lâmina. Este instrumento era usado na aplicação da justiça estando, assim, Mafdet ligada ao aspecto punitivo da justiça.
Assassina com as suas garras a serpente Apófis e acreditava-se que a deusa combatia os escorpiões e as serpentes com as suas garras afiadas. Para além deste aspecto feroz, Mafdet tinha igualmente um lado benéfico, sendo invocada para afastar as picadas. Era por isso chamada de "Senhora da Casa da Vida", uma referência ao local onde se curavam os doentes no Antigo Egipto. A deusa era também encarada como protetora do faraó.
Selkis, Selkhet, Serket, Serkis ou Selkit . Um dos perigos do deserto eram os escorpiões. Contra sua picada tinha-se a proteção desta deusa, representada como uma mulher com um escorpião na cabeça, ou com um corpo de escorpião com a cauda erguida (ou seja estava pronto a picar), ou como serpente, e já foi representada como uma mulher com cabeça de leoa, tendo a nuca protegida por um crocodilo. É a protetora de um dos vasos canopos, e do sarcófago do faraó, juntamente com Ísis, Néftis e Neit.
O seu nome é uma abreviação da expressão Serket-hetit que significa "Aquela que faz respirar a garganta" ou, de acordo com outra interpretação, "Aquela que facilita a respiração na garganta"; no primeiro caso aludia-se ao facilitar da respiração dos récem-nascidos ,e no segundo, ao seu papel benéfico na cura de picadas de escorpião (sendo um dos efeitos destas picadas a asfixia).
Segundo alguns autores, o chamado Rei Escorpião teria prestado culto a esta deusa.
Era a mãe (ou esposa) do deus serpente Nehebkau, cuja função era proteger a realeza e que vivia no mundo dos mortos. Serket era vista como guardiã de uma das quatro portas do mundo subterrâneo, prendendo os mortos com correntes.
Quando Nehebkau tornou-se um divindade benéfica, Serket seguiu o mesmo caminho. Se atribui a ela , sendo filha do deus sol, a capacidade de cegar a serpente Apófis ou Apep cujo o objetivo era evitar a viagem diária de Rá na barca solar. Recebia também o epíteto de "Senhora da Bela Mansão", sendo esta mansão a estrutura onde se realizava o processo de embalsamento. Era por vezes identificada com as deusas Sechat e Ísis.
Anukit, Ankhet, Anukel ou Anuket é uma deusa, esposa de Cnum e terceira pessoa da tríade, de Elefantina. Seu toucado divino consiste em uma coroa de plumas ou vegetais e, às vezes, leva unicamente a coroa do Alto Egito. Recebe o nome de “senhora de Satis”, sendo Satis uma ilha. Provavelmente, seja uma divindade de origem Núbia. Seu nome significa “abraçar” e estava ligada à água e, posteriormente, a sexualidade. Era filha de Satis. O animal associado a ela é a gazela e os gregos a identificavam com Héstia.
Satis Satjit, Sates, Sati ou Satet é uma das deusas da tríade Elefantina. Era esposa de Cnum, com quem formava juntamente com Anukit a tríade. Era a deificação das inundações do Rio Nilo, e seu culto origem na cidade antiga de Swenet, agora chamada Assua, na extremidade sul do Egito. O nome dela significa ela que lança a correnteza que antecipa à inundação anual do rio ou Ela Que Corre Como uma Flecha que remete à corrente do rio. Ela era uma deusa da guerra, caça, e da fertilidade que , juntamente, com Anuket era vista como mãe do rio Nilo, além de protetora do sul do Egito. Deusa do amor e da purificação pela água.
Sua representação é de uma mulher que usa a coroa branca do Alto Egito, o Hedjet, com cornos de gazela ou antílope. Ela também foi descrita com um arco e flechas.
Renenutet é a deusa serpente. No Egito as serpentes são divindades protetoras e maléficas. Mas, Renenutet, uma divindade com cabeça de serpente, tem um caráter benéfico; é protetora das crianças reais e, também, deusa da sorte. Está vinculada a fertilidade e às colheitas. A ela se é dedicada a primeira gota d`água, vinho, cerveja e o primeiro pão.
Jonsu ou Khonsu é um deus cujas raízes se remontam ao início da história egípcia. Khonsu era a representação da placenta real, como símbolo lunar. Em alguns textos das pirâmides, Khonsu aparece como um deus sanguinário que ajuda o faraó na caça e morte de algumas divindades para que o soberano possa alimentar-se delas obtendo poder, no pós-vida.
Depende do local de adoração a representação que ali estará simbolizando este deus. O aspecto mumiforme recebeu do deus Ptah. Do deus Hórus assumia às vezes a cabeça do falcão, o chicote e o cajado, como símbolos do próprio faraó. A trança da mocidade faz clara referência aos aspectos protetores de Khonsu que são endereçados às crianças. Em suas mãos levava, também, o cetro formado pelo pilar Dyed, símbolo de Osíris. Sobre a cabeça levava o disco lunar, assim como, outro símbolo da lua crescente na base lunar.
Heqet é a deusa com cabeça de rã. Seu papel é bastante vago, mas é evidente que estava associada à idéia da ressurreição, e seu símbolo, a rã, passou à civilização romana, sendo achada freqüentemente em abajures de terracota. Alguns pesquisadores acreditam que haja uma ligação entre esta deusa e Amaunet.
Mut é uma deusa esposa de Amon e mãe adotiva de Khonsu e Montu.
Mut era vista como uma deusa bastante poderosa. De início era apenas uma deusa-abutre da cidade de Tebas. Quando o deus Amon se tornou popular (por sua associação com Rhá através dos sacerdotes), Mut passou a ser vista como sua esposa, tendo substituído a primeira mulher deste, a deusa Amaunet, como sua companheira.
Esta deusa era representada como uma simples mulher com um vestido vermelho ou azul usando a serpente (uraeus) e a coroa dupla do Alto e Baixo Egito. Por vezes, era também representada com uma cabeça de abutre. Foi identificada com a Hera, grega, justamente por Amon ser uma representação de Zeus.
Meskhenet ou Meskhent era uma deusa da mitologia egípcia associada ao parto. O seu nome significa "o lugar onde a pessoa se agacha". O fato que serve de relação é o das mulheres egípcias darem à luz em posição agachada, com os pés posicionados sobre tijolos. Era representada como um tijolo com cabeça de mulher, ou, como uma mulher com dois objetos verticais sobre a cabeça que se enroscavam, no topo, para o exterior e que alguns consideram tratar-se do útero de uma vaca. Também era ilustrada como vaca com uraeus (serpente sagrada) na testa.
Moldava o Ka dos seres, assegurava o nascimento destes em segurança, e decidia o destino de cada um deles. Surgia também depois da morte, já que estava presente na chamada "Sala das Duas Verdades" onde os seres humanos eram julgados pelos atos que tinham praticado, informando sobre o que a pessoa tinha feito. Estava presente no momento em que o coração era pesado e, simbolicamente, assistia ao novo nascimento da pessoa, caso a esta lhe fosse atribuída uma existência no paraíso. No Papiro Westcar a deusa surge como ajudante no nascimento de três reis da V Dinastia, Userkaf, Sahuré e Neferirkaré, assegurando que cada um deles será rei.
No templo de Hatchepsut, em Deir el-Bahari, a deusa surge proferindo uma fórmula mágica que visa afastar o mal da rainha no momento do seu nascimento. Meskhenet era a esposa do deus Herichef, sendo adorada em Mênfis e em Hieraconpólis Magna; nesta última cidade tomava a forma de Ísis. Em alguns textos referem-se quatro deusas Meskhenet, que dançavam e celebravam os nascimentos, sendo consideradas esposas do deus Chai.
Nefertum ou Nefertem era um deus, originário do Baixo Egito, que estava associado à beleza e aos perfumes. O seu nome significaria, de acordo com os vários autores, "Lótus", "Perfeição absoluta" ou "Atum, o belo". Era representado como um jovem que tinha sobre a cabeça uma flor de lótus azul, com duas plumas altas, sendo também representado como um homem com cabeça de leão, ou, um simples leão, estando estas últimas representações, de caráter guerreiro, associadas ao fato de ser visto como filho da deusa-leoa Sekhmet, ou, de Bastet. Trazia frequentemente o colar menat, que se acreditava possuir poderes curativos.
É um deus antigo, já mencionado nos Textos das Pirâmides (século XXIV a.C.). Na cidade de Mênfis formou a partir do Império Novo uma tríade (agrupamento de três deuses) com os deuses Ptah e a deusa Sekhmet, sendo porém frequentemente susbtituído nesta tríade pelo arquiteto Imhotep. Não tinha templos nem sacerdotes associados ao seu culto, que segundo o que se sabe, consistia no porte pessoal de pequenas estátuas do deus, usadas como amuletos.
Na cosmogonia de Heliópolis o deus era associado a Atum. É visto como a manifestação deste deus como criança saindo da flor de lótus no monte primordial que emergiu das águas. Representa o poder do sol nascente.
De acordo com o relato, as lágrimas derramadas por este menino deram origem à humanidade. Em outros casos era representado como uma criança cuja cabeça saía de uma flor de lótus.
Meretseguer ou Meretseger era uma deusa-cobra da mitologia egípcia. O seu nome significa "a que ama o silêncio" ou "amada pelo silêncio". Era representada como simples cobra, como uma mulher com cabeça de cobra ou como uma cobra com cabeça de mulher.
Tinha por vezes um toucado constituído por disco solar e cornos. Em representações mais raras surge como cobra com três cabeças (uma de mulher, outra de cobra e outra de abutre) ou como escorpião com cabeça de mulher. As informações mais antigas sobre a deusa datam da época do Império Médio. Durante a época do Império Novo a deusa tornou-se guardiã dos túmulos das necrópoles de Tebas (Vale dos Reis), acreditando-se que atacava aqueles que tentavam pilhá-los.
Segundo as fontes, vivia numa montanha com forma de pirâmide perto de Deir el-Medina, a aldeia onde habitavam os homens que construíram os túmulos reais durante o Império Novo. Por esta razão, era também denominada pelos habitantes de Deir el-Medina como "Dehenet Imentet", o que significa "Montanha do Oeste". Várias estelas encontradas revelam a devoção dos artesãos de Deir el-Medina pela deusa, detentora de uma certa ambiguidade: atacava os trabalhadores que cometiam crimes ou mentiam, castigando-os com a cegueira ou através de picadas venenosas, mas ao mesmo tempo poderia curar os que se mostrassem arrependidos.
Perto do Vale das Rainhas tinha um pequeno templo, cavado na rocha, onde era adorada junto com o deus Ptah. Quando se abandonou o Vale dos Reis como necrópole real, na XXI Dinastia, o seu culto (que nunca ultrapassou o âmbito local) entrou em decadência.
Min ou Khem é uma divindade egípcia itifálica, que além de proteger as caravanas, promovia a fertilidade, ou mais propriamente dito, um deus de potência sexual masculina. Seu culto é pré-dinástico quase sempre representado com uma coroa com duas penas, com a mão esquerda em seu membro e a direita em um mangual, que representa a autoridade do faraó, em sua testa havia uma fita vermelha que se arrasta no chão, o que representaria a energia psíquica.