A grande maioria dos mitos gregos nos chegaram graças a grandes escritores, dramaturgos e filósofos. Estes homens perceberam que sua cultura estava dispersa, e com o passar das gerações não resistiria, sendo, a partir de então, uma remota lembrança. Assim, muitos escritores a partir da criação de concursos de escrita e leitura de obras, tal como a teatralização das mesmas, desejavam tão simplesmente resgatar suas histórias ancestrais, antes que elas se tornassem lendas e a seguir fossem esquecidas. Porém, o mais correto e acertado é afirmar que tais obras, independentemente, de terem existido ou não, terem sido teatralizadas ou não, nos servem, atualmente, para refletir a respeito da condição humana e histórica do ser, que buscam mudar o meio em que se está inserido em nome de leis maiores e superiores, com toda a certeza.
Na época dos grandes iniciados como Sófocles, escritor de Édipo; Eurípedes, também escritor de Electra; e Ésquilo, escritor de Prometeu Acorrentado, estas peças eram chamadas de Aitia, pois estabeleciam a relação entre a história narrada e um culto em específico — uma representação das diversas Virtudes, hoje quase esquecidas. Cabe ressaltar, que Sócrates foi contemporâneo destes que buscavam através do resgate cultural ou da crítica social marcar o seu tempo e espaço, tão somente para ensinar os homens a pensarem.
Danao, filho de Belo e neto de Posseidon, era pai de cinquenta filhas, as danaides, que tivera com diversas mulheres. Por sua vez, seu irmão gêmeo, Egito, que havia recebido como herança a soberania da Arábia, e depois conquistara as terras que hoje formam o Egito, dando seu nome ao país conquistado, era pai de cinquenta filhos, os egiptíades. Os dois reinavam sobre um vasto território que incluía a região da Líbia, no noroeste da África.
Certo dia, Egito, soberano das terras que tinham seu nome, sugeriu ao irmão Danao, senhor da Líbia, que os cinquenta descendentes de cada um casassem entre si, a fim de preservar a dinastia, mas como este último não concordou com tal proposta, os gêmeos discutiram, se desentenderam seriamente, acabaram brigando, e em consequência iniciaram uma guerra que terminou pouco depois com a vitória dos egiptíades, combatentes mais experientes e mais aguerridos que os seus adversários. Ao se ver derrotado, Danao fugiu levando consigo as suas cinquenta filhas, após estas terem construído um imenso navio. Atravessou o mar e desembarcou em Argos, sendo recebido por Gelanor, rei dos pelasgos.
Logo depois da chegada festiva e amistosa de Danao e comitiva, eles se tornaram rivais, e para colocar um ponto final no desacordo que os separava, decidiram entregar ao povo a decisão sobre qual deles deveria reinar. Gelanor, aconselhado pelo oráculo que procurara, soube a decisão mais acertada a se tomar. Durante a manhã do dia marcado para a eleição, um lobo saiu da floresta, atacou o rebanho que pastava fora da cidade e matou o maior dos touros, este fato foi considerado pelos habitantes do lugar como um sinal da proteção divina concedida ao estrangeiro por Apolo Liciano, pois o touro representa o rei.
Gelanor viu o ocorrido como uma confirmação do oráculo entregando pacificamente o seu trono a Danao. Transformado em rei, Danao instaurou em Argos o culto a esse deus, e para homenageá-lo mandou erguer um templo.
Mas os filhos de Egito foram ao encalço de suas pretendidas, e quando as encontraram exigiram de Danao que elas lhes fossem dadas em casamento. Diante da iminência de uma nova guerra, coisa que não desejava enfrentar novamente, o pai das danaides acabou concordando com a cerimônia, mas depois, dando a cada filha uma adaga, instruiu-as para que assassinassem seus maridos na noite de núpcias. Quarenta e nove delas fizeram isso, e apenas Hipermnestra, que havia desposado Linceu, deixou de cumprir o que havia sido combinado, preferindo fugir com o marido. Danao puniu-a por isso, mas Afrodite interveio e salvou-a.
Quanto ao destino das quarenta e nove irmãs que mataram os respectivos maridos, elas foram entregues como esposas aos vencedores de várias competições organizadas pelo pai. Todas morreram nas mãos de Linceu, que assim vingou seus irmãos assassinados, sendo condenadas por Zeus, a encher com água, por toda a eternidade, um tonel sem fundo, castigo que elas vêm cumprindo desde que chegaram ao Tártaro, abismo situado no fundo do inferno mitológico.
Desde então a expressão “tonel das Danaides” passou a significar, figuradamente, o esforço infindável, porque nunca termina; o trabalho feito repetitivamente e sem nenhum resultado prático ou proveitoso.
Eco era uma linda ninfa que amava os bosques e os montes, onde se dedicava a distrações campestres. Porém tinha um grave defeito: falava demais e em qualquer conversa ou discussão, queria sempre ter a última palavra. Um dia a deusa Hera saiu à procura de Zeus, seu marido, de quem desconfiava, que sempre estava se distraindo com as ninfas. Mas Eco conseguiu entretê-la com sua conversa até as ninfas fugirem. Percebendo isso, Hera a condenou: “Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste, para uma coisa de que gostas tanto: responder. Continuarás a dizer a última palavra, mas nunca poderá falar em primeiro lugar”.
Certa manhã a ninfa viu Narciso, um belo jovem que perseguia a caça na montanha. Apaixonada por ele começou a seguir os seus passos, desejando ardentemente poder dirigir-lhe a palavra, e dizer-lhe frases gentis e agradáveis, para assim conquistar-lhe o afeto. Mas como não conseguia fazê-lo, em virtude do castigo imposto pela deusa Hera, não teve melhor alternativa senão esperar que ele falasse primeiro, para que ela finalmente pudesse responder. Quando Narciso procurava pelos companheiros ele gritava bem alto, mas Eco só conseguia responder a última palavra. Quando Narciso viu a jovem, fugiu dela.
Eco foi esconder sua vergonha no recesso dos bosques e passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. De pesar, seu corpo se transformou em rochedos e só restou a sua voz. A ninfa continua ainda disposta a responder a quem quer que a chame e conserva o velho hábito de dizer a última palavra.
Pã, antiga divindade, é o guardião dos rebanhos que ele tem por missão fazê-los multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. Filho de Dríope, uma das Plêiades, e de Hermes, o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, era natural que estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Contudo Pã foi abandonado por sua mãe no nascimento assustadíssima com sua esquisita conformação, com pés de bode e chifres na testa e barba espessa. Quando Hermes levou o filho ao templo todo o Olimpo todos ridicularizaram a criança. Em vista disto, Hermes pediu que a criança nunca o chamasse de pai.
Era temido por todos aqueles que necessitavam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia provocava pavores súbitos, desprovidos de qualquer causa aparente e que eram atribuídos a Pã; daí o nome pânico. Os latinos chamavam-no também de Fauno e Silvano.
As ninfas zombavam incessantemente de Pã em virtude do seu rosto repulsivo, e ele tomou a decisão de nunca amar. Porém um dia desejando lutar corpo a corpo com Eros, foi vencido e abatido, diante das ninfas que riam. Percorrendo os bosques encontrou a ninfa Syrinx que jamais quisera receber homenagens das divindades e só tinha uma paixão: a caça. Aproximou-se dela e, como nos costumes campestres, lhe corteja. Porém Syrinx, pouco sensível às declarações de amor saiu correndo e vendo-se detida rogou ajuda às suas irmãs ninfas.
Quando Pã quis abraçá-la, ela foi transformada em caniços. Suspirando sobre os caniços agitados, ouviu um som e criou a flauta syrinx. O Cupido lhe anuncia que os sons amorosos da flauta atrairá, apesar de sua aparência grotesta, as belezas que o desdenham. Com efeito, em breve, os melodiosos acordes fazem acorrer de toda parte as ninfas que vêm dançar em volta do deus chifrudo. A ninfa Pítis parece tão enternecida que Pã renasce com a esperança e crê que o seu talento faz com que seja esquecido o rosto.
Sempre tocando a flauta de sete tubos, começa a procurar lugares solitários e percebe, finalmente, um rochedo escarpado no alto do qual resolve sentar-se. Pítis segue-o e para melhor ouvi-lo, aproxima-se cada vez mais, e Pã vendo-a bem perto, julga o momento oportuno para lhe falar. Pítis era amada por Bóreas, o terrível vento do norte, que naquele instante soprava com grande violência. Vendo a amante, teve um acesso de ciúme e, não se contendo, soprou com tal impetuosidade que a ninfa caiu no precipício. Seu corpo imediatamente foi transformado em pinheiro. Pitis em grego significa pinheiro e foi consagrada a Pã. Por esse mesmo motivo que nas representações figuradas, a cabeça de Pã está coroada de ramos de pinheiro.
Mas o destino de Pã era amar sem que nunca conseguir se unir à criatura amada. Continuando a fazer música na montanha, ouviu no fundo do vale uma terna voz que parecia repetir-lhe os acordes. Era a voz da ninfa Eco, filha do Ar e da Terra. Embora a seguisse e ela respondesse, ele nunca conseguia alcançá-la. Assim Pã residia em grutas e vagava pelos vales e pelas montanhas, caçando ou dançando com as ninfas, trazendo sempre consigo uma flauta.
Pã estava com outros deuses e surgiu Tífon, inimigo dos deuses. O medo transformou cada um dos deuses em animais e Pã assustado, mergulhou num rio e disfarçou assim metade de seu corpo, sobrando apenas a cabeça e a parte superior do corpo, que se assemelhava a uma cabra. Zeus considerou uma estratégia muito esperta e, como homenagem, transformou-o em na constelação de Capricórnio.
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As Erínias (Fúrias para os romanos) eram personificações da vingança semelhantes a Nêmesis que punia os deuses, enquanto as Erínias puniam os mortais. Tisífone (castigo), Megera (rancor) e Alecto (implacável) viviam no submundo onde torturavam as almas pecadoras que ali chegavam depois de passar pelo veredicto de Hades.
Elas nasceram das gotas do sangue de Urano quando ele foi castrado por Cronos. Pavorosas e cruéis, as Erínias encarregavam-se de criar nas almas pecadoras o remorso e a necessidade de perdão.
• Tisífone, a vingadora dos assassinatos e homicidios, principalmente aqueles praticados contra os pais, irmãos, filhos e parentes, e açoitava os culpados, enlouquecendo-os.
• Megera, personifica o rancor, a inveja, a cobiça e o ciúme. Castigava principalmente os delitos contra o matrimônio, em especial a infidelidade. É a Erínia que persegue, fazendo a vítima fugir eternamente. Grita a todo momento nos ouvidos do criminoso, lembrando-lhe das faltas cometidas.
• Alecto, a implacável, eternamente encolerizada, encarregava-se de castigar os delitos morais como a ira, a cólera, a soberba etc. É a Erínia que espalha pestes e maldições. Segue o infrator sem parar, ameaçando-o com fachos acesos, não o deixando dormir em paz.
As Erínias são divindades presentes desde as origens do mundo e, apesar de terem poder sobre os deuses e não estarem submetidas à autoridade de Zeus, vivem às margens do Olimpo. Os deuses as rejeitam, mas as toleram. Os homens fugiam delas. Sendo forças primitivas, atuavam como vingadoras dos crimes e reclamavam com insistência a punição do homicida com a morte.
Porém, visto que o castigo final dos crimes é um poder que não corresponde aos homens, por mais horríveis que sejam, estas três irmãs se encarregavam do castigo dos criminosos, perseguindo-os incansavelmente até mesmo no mundo dos mortos, pois seu campo de ação não tinha limites. As Erínias são convocadas pela maldição lançada por alguém que clama vingança. São deusas justas, porém implacáveis, e não se deixam abrandar por sacrifícios nem suplícios de nenhum tipo. Não levam em conta atenuantes e castigam toda ofensa contra a sociedade e a natureza, como o perjúrio, a violação dos rituais de hospitalidade e, sobretudo, os assassinatos e crimes contra a família.
As Erínias são representadas normalmente como mulheres aladas de aspecto terrível, com olhos que escorrem sangue no lugar de lágrimas e madeixas trançadas de serpentes, estando muitas vezes acompanhadas por muitos destes animais. Aparecem sempre empunhando chicotes e tochas acesas, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais.
Na mitologia grega, as Gréias eram três irmãs que tinham os cabelos grisalhos desde o nascimento, e por isso o nome Gréias (mulheres velhas ou cinzas). Eram divindades muito antigas e que já existiam quando Zeus assumiu o controle do Universo. Habitavam o extremo Ocidente, onde os gregos situavam, entre outras coisas, o Jardim das Hespérides, porém as Gréias habitavam no país da Noite, aonde jamais chegava o sol. Nem deuses nem mortais ousavam se aproximar de tais monstros.
Eram irmãs mais velhas das Górgonas, sendo filhas de Fórcis e Ceto. O nome delas era: Enyo ("terror"), Deino ou Dino (“terrível, poderosa”) e Penfredo ou Péfredo ("alerta"). Representavam a Vigia do Acontecer e a História do Acontecimento.
Das três górgonas, somente Medusa (gr. Μέδουσα) era mortal; as outras duas irmãs eram imortais. Às vezes, apenas Medusa é referida como "a górgona" (gr. Γοργώ). O aspecto delas era assustador: presas de javali, cabelos constituídos de serpentes vivas, mãos de bronze e asas de ouro. De tão penetrante, seu simples olhar transformava suas vítimas em pedra. Medusa, em uma antiga ânfora de meados o século -VII, foi representada com corpo de cavalo, como uma "centaura".
Medusa antes de se transformar em um monstro era uma sacerdotisa de Atena e enquanto desempenhava esta função conheceu o deus Posseidon dentro do santuário da deusa. Em consequência disso, nasceram — através de Perseu — Pégaso, o cavalo alado, e Crisaor, um gigante que nasceu com uma cimitarra de ouro.
As três gréias eram também conhecidas por Fórcides devido ao pai, Fórcis. Nasceram belas, porém mortais, e Zeus vendo a injustiça feita pelas Moiras, senhoras do destino, resolveu conceder um desejo a elas. As três imediatamente decidiram pela imortalidade, porém se esqueceram de pedir também a juventude eterna. O tempo passou e assim ficaram tão velhas, tão velhas, que restou a elas viver dependentes de apenas um olho e um dente, que dividiam entre si para se alimentarem e enxergarem. Seus corpos de belos e formosos adquiriram a aparência dos corpos dos cisnes. As Gréias eram as únicas que conheciam o caminho e os meios de derrotar as górgonas, sendo as guardiãs das Górgonas.
Conta-se que as Gréias eram depositárias de um oráculo, segundo o qual só conseguiria cortar a cabeça de Medusa aquele que obtivesse um par de sandálias aladas, um alforje, chamado quíbisis, e o capacete de Hades que deixava invisível quem o usasse. Perseu roubou o olho e o dente delas, e só os devolveu quando elas lhe deram informações que o ajudariam a encontrar e matar Medusa. Todos esses objetos estavam em poder das Ninfas do Estige, cujo paradeiro só as velhas conheciam. Instruído por Atena e Hermes, Perseu arrebatou o "olho e o dente" das Gréias e obrigou-as a revelar onde se encontravam as Ninfas misteriosas. Estas, cordatamente, lhe fizeram entrega dos objetos mágicos, o que lhe permitiu chegar ao esconderijo das Górgonas.
As Gréias de nada tinham de inofensivas, embora suas aparências sugerisse isto. Representavam a força que existia na parte alva das ondas ou correntezas d’água que arrastam por seu impacto qualquer coisa que se interponha em seu caminho. No mito eram mulheres canibais que cozinhavam os visitantes em um caldeirão.
Enio, em Grego, Ένυώ (Enyó ou Enyálios), deusa das lutas armadas conhecida como “Destruidora de Cidades”, muitas vezes associado ao grito de guerra e frequentemente representada coberta de sangue e levando armas de guerra. Filha de Zeus e Hera, e em algumas versões, filha de Eris, com frequência é retratada junto a Fobos e Deimos como acompanhante de Ares, o deus chefe da guerra, e dizia-se que era tanto sua amante como sua irmã, e em versões menos aceitas é até sua mãe. Trata-se de uma divindade pré-helênica, sendo Enio "A que Faz Penetrar, A que Fura". Em todo caso Enio é uma deusa da guerra, que faz parte do sangrento cortejo de Ares. Além de tudo isso, ela apaixonou-se perdidamente por Oberon, deus da escuridão, filho de Hades. Em Roma, foi identificada com a deusa da guerra Belona, como está na Eneida.
A maior parte das representações artísticas das gréias e das górgonas têm relação direta com a aventura de Perseu e serão comentadas mais adiante, em outra sinopse. Farei, aqui, apenas alguns comentários sobre as cenas com as Górgonas, isoladas, e sobre o gorgoneion, representação da cabeça de Medusa, cortada por Perseu com a ajuda dos deuses.
A mais antiga representação de uma Górgona data de 600aC. A cena mostra uma das górgonas — Medusa, provavelmente — representada como uma "senhora dos animais", figura habitualmente associada à deusa Ártemis. Em representações posteriores, ela às vezes aparece viva, ao lado de Crisaor e de Pégaso, embora eles tenham nascido após sua morte.
Medusa e sua cabeça estão entre os mais populares temas artísticos do Período Arcaico e, em menor grau, dos períodos subsequentes e do Império Romano. Devido à crença no poder aterrorizante e paralisante da cabeça de Medusa, os gregos costumavam representá-la em escudos, couraças, portões, muralhas e até em espelhos.
Acreditava-se que essa representação isolada da cabeça de Medusa, conhecida por gorgoneion, era um símbolo protetor contra qualquer tipo de encantamento e tinha a capacidade de repelir os males (propriedade dita apotropaica). Por isso, o gorgoneion era usado, às vezes, como uma espécie de amuleto. Hoje em dia o que restou desta simbologia faz unir os mitos das Górgonas e das suas irmãs, as Gréias, é o conhecido e difundido “Olho Grego”.
Na mitologia grega, as Keres ou Ker (plural: Κῆρες e singular: Κήρ, "morte") , são espíritos femininos, filhas de Nix, a Noite, que as teve sem unir-se a outro deus, tal como foi gerada pelo deus primordial Caos. Entretanto, em alguns livros é possível encontrar variantes de geneologia, entre as quais que seriam filhas de Nix e Érebo ou Tânato.
As Keres simbolizam o destino cruel, fatal e impossível de escapar, são deusas que trazem a morte violenta aos mortais. Elas possuem a índole de todo descendente de Caos, são infalíveis.
Alguns relatos mitológicos, as trazem como mensageiras de Tânatos, agindo no reino de Hades ao lado das Erínias. Entretanto, tais deusas são irmãs de Tânatos, sendo deuses de perfis diferentes. Tânatos era o responsável pela morte tranquila, por isso também sua associação à Hipnos. Já as Queres eram deusas responsáveis por levar os mortos do campo de batalha, portanto vem como a morte antes do tempo, a morte cruel. Assim, quando Ares partia para Grandes Guerras convocava as Keres, já que faziam parte de seu cortejo. Após a batalha devoravam os mortos ou seu sangue e levavam as almas aos Ínferos.
Não se pode definir o número correto destas deusas, cada uma corresponderia a um tipo específico de morte violenta. Já Homero vai mais além: na Ilíada, afirma que todos os seres humanos possuem uma Ker consigo, que personificará sua morte. Neste caso, ker vem no sentido de boa ou má morte.
Nas artes, eram representadas aladas, como a maioria dos filhos da deusa Nix, e tinham aspecto horrendo, com grandes caninos, tais como os vampiros na acepção moderna, e unhas aduncas. No Renascimento, foram confundidas com as Erínias.
Entre as personificações destrutivas estão; embora nem todas sejam chamadas de Keres;
Anaplekte (morte rápida),
Akhlys (névoa da morte),
Nosos (doença),
Ker (destruição),
Stygere (ódio).
Híbride (orgulho),
Limos (fome),
Poinê (castigo)
Kakó (Mal)
Panouclá (Peste)
Tôlemos (Guerra)
Erríkissi (Vingança)
Trélla (Loucura)
Éxallos (Desvario)
Líthi (Esquecimento)
Pséma (Mentira)
Mataiodoxia (Vaidade)
Idonismós (Hedonismo)
Nothrótita (Indolência)
Adiofôria (Indiferença)
Tempeliá (Preguiça espiritual)
Lagneia (Luxúria)
Zília (Ciúme)
Zilévo (Inveja)
Perifánia (Soberba)
Thimós (Ira)
Anaisthisía (Insensibilidade)
Apátheia (Apatia)
Idiotéleia (Egoismo)
Ethismós (Vício)
Aplístia (Gula)
Filargyría (Avareza)
Elpída (Esperança)
Na mitologia grega, Sísifo, filho do Rei Éolo, da Tessália, e de Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais. Foi o fundador e primeiro rei de Ephyra, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos. Casou-se com Mérope, filha de Atlas e uma das sete Plêiades, sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte. Sísifo também foi pai de Ornythion, Thersander e Almus.
Uma das proezas de Sísifo foi a ocorrida quando Autólico, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia, que era filho de Hermes e vizinho de Sísifo, tentou roubar-lhe o gado. Autólico mudava a cor dos animais. As reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladrão, porém Sísifo começou a desconfiar de algo, pois o rebanho de Autólico aumentava à medida que o seu diminuía. Sísifo, um homem letrado sendo um dos primeiros gregos a dominar a escrita, teve a idéia de marcar os cascos de seus animais com sinais de modo que, à medida que a res se afastava do curral, aparecia no chão a frase "Autólico me roubou". Posteriormente, Sísifo e Autólico fizeram as pazes e se tornaram amigos.
Mestre da malícia e dos truques, Sísifo entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses. Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deusrio, e viu a águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene.
Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.
Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, mas criou grandes problemas; desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas.
Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânatos e ordenou-lhe que troxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez.
Hades foi ao Olimpo reclamar a Zeus o ocorrido e o senhor do Olimpo lançou sobre Sísifo um raio que o fulminou. Mas Sísifo havia já orientado a sua esposa para que na próxima morte que sofresse esta o enterrasse, porém sem colocar as moedas da passagem a Caronte, o barqueiro. Ao chegar aos Ínferos margeando os rios sem poder atravessá-los, encontrou Perséfone, a consorte de Hades. Como o governante não estava lá, por outras tarefas a serem cumpridas junto ao Olimpo; Sísifo, oportunista e ladino, se aproximou da deusa explicando-lhe sua triste desdita, pedindo a ela para que voltasse a vida para suplicar a esposa viúva que lhe fizesse uma oferenda com libações de leite e mel, permitindo que ele pudesse acessar o Hades. Perséfone acreditou em Sísifo, fazendo o rei de Corinto voltar a vida pela segunda vez.
Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma ao Hades. No tártaro, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, juntamente com o titã Prometeu, o gigante Títio, os reis Tântalo e Íxion.
Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo" ou Sisifismo.
Sísifo tornou-se conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo.
Tratava-se de um castigo para mostrar-lhe que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade de escolha, devendo, pois, concentrar-se nos afazeres da vida cotidiana, vivendo-a em sua plenitude, tornando-se criativos na repetição e na monotonia.
A titânide Leto fugia da perseguição de Hera, por haver conhecido o senhor do Olimpo, Zeus,o esposo da deusa dos céus. Leto se transformou em Loba e refugiou-se no país dos Hiperbóreos, onde habitualmente residia. Em sua nação natal deu a luz aos gêmeos: Ártemis e Apolo. O deus ainda criança era chamado de Apolo, Licógenes, "nascido da Loba".
Hera, que ainda não perdoara à rival, lançou contra ela a monstruosa serpente Píton que passou a perseguí-la. Apertando nos braços os filhos, Leto fugiu para a Lícia, igualmente "terra dos lobos" e lá parou junto a um lago ou fonte, para lavar os recém-nascidos. Alguns camponeses, contudo, que lá estavam ocupados em arrancar uns caniços, não a permitiram se estabelecer e expulsaram-na brutalmente. A deusa, possuída de grande cólera, os transformou em rãs.
Hera, então, enviou o gigante Títio ou Tício nascido do interior da terra, filho de Zeus com Elara e neto de Orcômeno, para matar Leto que ainda a desejou tentando violentá-la. Desta vez, Apolo, ainda menino, enfrentou o gigante sozinho quando sua mãe orava no santuário de Delfos. Ao final do confronto quando Títio já estava alvejado com diversas flechas de Apolo e o menino desarmado pelo gigante Ártemis surgiu dos bosques e ajudou ao irmão com seu arco de prata. Com Títio morto e os três se abraçavam, Hera o fez ressuscitar, mas quando o gigante se levantava Zeus, por fim, lançou Títio ao Tártaro por meio de um raio que o fulminou.
No tártaro ele foi preso ao chão de pedra com os braços e pernas abertos, cobrindo uma área de 9 acres (36 mil m²) e um par de abutres ou serpentes vinham alimentar-se diariamente de seu fígado, e o órgão renascia todos os dias conforme as fases da lua, ele era cultuado em Eubéia.
A descendência de Títio segue por Europa sua filha foi amada por Posseidon, dando a luz ao herói Eufemo, que herdou do pai o dom de caminhar em cima das águas, sendo um dos Argonautas tendo como função a de timoneiro.
A deusa Deméter ou Ceres, soberana da natureza e protetora das criaturas jovens e indefesas, era a responsável pelo amadurecimento anual do grão e ao final do verão todos lhe agradeciam pela fatura. Ela regia os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas, usando suas múltiplas cores. Presidia a gestação, o nascimento e abençoava os ritos do matrimônio como perpetuação da natureza. Deméter é a deusa matriarcal, que ensinou aos homens as artes de arar, plantar e colher, e ensinou às mulheres a arte de fazer o pão.
Deméter vivia em harmonia com sua filha Coré (semente), que gostava de passear pelos campos de narcisos. Mas um dia Coré saiu e não retornou. Ela foi raptada por Hades, o deus das trevas que, enlouquecido de amor, a raptou com o consentimento de Zeus, enquanto ela colhia flores nos campos. Levada até seu reino sombrio, Hades deu-lhe a romã, a fruta dos mortos, e se acaso comesse deste fruto ficaria ligada a ele para sempre. Depois de muitos anos de busca, Deméter descobriu que Hades, o senhor das trevas, havia raptado sua filha e a tinha levado ao mundo subterrâneo. Enfurecida Deméter ordenou que a terra secasse e recusou a devolver a abundância.
Embora sua filha tenha se tornado a rainha das trevas tornando-se Perséfone, a guardiã dos segredos dos mortos, e fosse bem tratada por Hades, Deméter não se conformava e queria a filha de volta. Hermes, o mensageiro dos deuses, foi incumbido de intervir para resolver a questão e fizeram um acordo. Perséfone não poderia mais viver continuamente com sua mãe na superfície pela jovem consorte ter comido três caroços da romã. Com isso, durante nove meses do ano Perséfone viveria com sua mãe, mas durante três meses deveria retornar para o marido. Embora Perséfone ficasse com a mãe, ela não poderia revelar a ninguém os segredos do mundo de Hades.
Embora mantivesse o acordo, Deméter nunca se conformou. Em todos os anos, durante a ausência da filha, Deméter chorava e se lamentava; a terra se tornava fria, as folhas caiam e nada produzia, dando origem ao inverno. Mas logo quando a filha retornava, Demeter fazia florescer as flores, iniciando a primavera.
Deméter reflete a experiência da maternidade que não está restrita à gestação, nascimento e aleitamento, mas também à descoberta do corpo como algo precioso e que merece cuidados e atenção. É a conscientização de sermos parte da natureza, de estarmos ligados à vida natural e apreciar os prazeres da vida diária. Se não temos Deméter dentro de nós não podemos gerar, dar frutos, pois esse é o aspecto que nos faz ter paciência para esperar que as coisas amadureçam e, assim, possamos agir. É saber respeitar os limites da realidade e do outro.
Deméter é sábia e sua sabedoria vem da natureza que se movimenta em ciclos e sabe que deve esperar, pois tudo amadurece na hora certa. No entanto, Deméter mostra seu lado sombrio, apático e enlutada que não consegue abrir mão do que julga possuir e se rebela contra qualquer invasão ao seu mundo harmônico. Então quando ocorre alguma intromissão, ela se torna magoada e rancorosa, mesmo sabendo que a vida é cheia de separações e mudanças.
Coré-Perséfone está relacionada à imagem do nosso misterioso e insondável mundo interior que a psicologia denomina inconsciente, como se por detrás do mundo diário, sob a luz do dia, existisse um outro mundo cheio de riquezas e mistérios a serem desvendados. Nesse universo interior estão nossos potenciais a serem desenvolvidos e também as facetas sombrias e mais primitivas da personalidade.
Perséfone é aquela parte que cada ser humano quer conhecer e onde guarda os próprios segredos do seu mundo interior. Entretanto, só consegue ter uma vaga noção com o despertar da consciência e que aparece por meio de fragmentos de sonhos ou através de estranhas coincidências da vida que nos faz questionar a respeito da existência de algum padrão oculto que opera dentro de nós. Perséfone é sedutora e fascinante, porém jamais fala de seus segredos. Da mesma maneira, o mundo do inconsciente penetra nos sonhos e nas intuições que também seduzem e são fascinantes. Contudo quando tentamos dominá-lo através do intelecto, esse mundo escapa ao nosso alcance.
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Diomedes (transl.: Diomēdēs; trad. "astúcia divina" ou "aconselhado por Zeus") era príncipe de Argos antes e depois do reinado de Agamenon, o rei legítimo da Cidade Estado. Diomedes possuia esta condição por ser o único herói de Argos, assim, recebeu o título de príncipe.
Foi o mais valente herói grego na Guerra de Troia, sendo superado somente por Aquiles. Foi ajudado por Atena, feriu a deusa Afrodite e, também, o deus Ares que reclamou a Zeus sobre a ousadia de Diomedes. O bravo guerreiro grego era filho de Tideu com Deipile, uma das filhas de Adrasto, um antigo rei de Argos. Foi também um dos prentedentes de Helena e é companheiro constante de Odisseu. Foram os dois que mataram Dolon, um espião troiano.
Teve o retorno a sua pátria fácil, mas por ter ferido Afrodite durante a Guerra de Troia, a mesma se vinga, sem jamais ter esquecido a afronta do herói. Afrodite instiga Egialéia, mulher de Diomedes, a traí-lo e seguidamente criar várias armadilhas na tentativa de matá-lo. Diomedes consegue fugir da conspiração seguindo para a corte do rei Dauno, em que o anfitrião lhe concede a mão de sua filha em casamento.
Atreu, o pai de Agamenon, foi assassinado por Egisto, que se apoderou do trono de Argos e governou juntamente com o seu pai Tiestes; Atreu e Tiestes eram irmãos gêmeos. Durante este período, Agamenon e Menelau procuraram refúgio em Esparta. Casaram-se com as princesas espartanas Clitemnestra e Helena, respectivamente.
Menelau herdou o trono de Esparta, enquanto Agamenon, com a ajuda do irmão, expulsou Egisto e Tiestes para recuperar o reino do seu pai. Agamenon alargou os seus domínios pela conquista, e tornou-se o rei mais poderoso da Grécia. Agamenon e Clitemnestra tiveram quatro filhos: três filhas, Ifigênia, Electra, Crisotêmis e um filho, Orestes. Quando o caçula era apenas um recém nascido, a Rainha Helena foi raptada pelo príncipe Páris de Troia.
No início da Guerra à Troia, anos depois, o rei e general Agamenon sacrificou sua filha, Ifigênia, para apaziguar a deusa Ártemis e permitir que as tropas gregas pudessem navegar para Troia. Sua esposa, Clitemnestra, nunca o perdoou por este ato. Atormentada pelo sacrifício de Ifigênia, uniu-se ao sobrinho do esposo, o príncipe Egisto, que fora perseguido por Agamenon e privado de seus direitos. Retornando a Micenas durante a guerra de Tróia, uniu-se à rainha, com quem tem um filho, Aletes. Os dois amantes aguardam o retorno do rei para consumar a vingança, e em seu retorno, dez anos mais tarde, ela o assassinou, juntamente com seu amante, Egisto. Após o assassinato do pai, Electra é poupada pela mãe, mas consome-se pela perda do pai, Agamenon, a quem adorava. Pedia aos deuses que lhe enviassem um meio de vingar sua morte. O jovem Orestes é salvo da morte pela irmã, Electra, que o confia em segredo a um velho preceptor, sendo entregue aos cuidados do Rei Estrófio da Fócida, onde se tornou amigo íntimo de Pilades, filho do rei local.
Por tudo isto, era tratada no palácio como escrava. Temendo que a enteada tivesse um filho que um dia pudesse vingar a morte de Agamenon, Egisto fê-la casar-se com um velho e pobre camponês. O marido, todavia, respeitou-lhe a virgindade, Electra passou a ajudá-lo nas tarefas domésticas. Electra carrega consigo a mágoa por ter sido obrigada a sair de casa, e pela lealdade de sua mãe com Egisto. Mas é chegado o dia do retorno de Orestes. A jovem princesa espera ansiosa pelo dia em que o guiará até os assassinos de seu pai.